Outubro, 2017

Parabéns João Pinto Coelho

O júri do prémio Leya, reunido ontem e hoje em Alfragide, deliberou por consenso distinguir a obra «Os loucos da rua Mazur», de João Pinto Coelho.
 
«Os loucos da rua Mazur» é um romance bem estruturado, bem escrito, que capta a atenção do leitor, quer pelo tema quer pela construção em tempos paralelos, um no passado imediatamente anterior à 2ª guerra mundial e no início desta, e o outro no mundo actual. Não cede ao facilitismo do romance histórico, embora a História seja parte da acção e nos apresente uma visão inédita da tragédia resultante das invasões russa e nazi da Polónia.
 
O júri apreciou particularmente, as qualidades de efabulação e verosimilhança em episódios de violência brutal com motivações ideológico-políticas e étnico-religiosas, emergindo do fundo de uma convivência comunitária multisecular.
 
De igual modo, o júri valorizou a criação de personagens com densa singularidade existencial (no triângulo perturbador de amizade e conflito amoroso dos protagonistas), tal como de figuras secundárias com valor simbólico.
 
De salientar a força humana de um protagonista, o velho livreiro cego, que irá ficar como figura inesquecível da nossa ficção mais recente.
 
O júri recomenda ainda a edição de «O Testamento de José de Nazaré», de Ivan José de Azevedo Fontes. O livro traz à cena um personagem obscuro na tradição cristã, pela sua própria voz. Apresenta um José trabalhador, insubmisso e solidário, dividido entre o seu inconformismo e o seu amor por Maria e pela família, entre a paz e a revolta. A simplicidade de linguagem traduz uma refinada estratégia no processo de construção narrativa.
 
Sobre o autor
 
João Pinto Coelho nasceu em Londres em 1967. Licenciou-se em Arquitetura em 1992 e viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou diversas temporadas nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar num teatro profissional perto de Nova Iorque. Em 2009 e 2011 integrou duas ações do Conselho Europa que tiveram lugar em Auschwitz (Oswiécim), na Polónia, trabalhando de perto com diversos investigadores sobre o Holocausto. No mesmo período, concebeu e implementou o projeto Auschwitz in 1st Per-son/A Letter to Meir Berkovich, que juntou jovens portugueses e polacos e que o levou uma vez mais à Polónia, às ruas de Oswiécim e aos campos de concentração e extermínio. A esse propósito tem realizado diversas intervenções públicas, uma das quais, como orador, na conferência internacional Portugal e o Holocausto, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2012. Foi finalista do Prémio LeYa em 2014 com o romance Perguntem a Sarah Gross, que veio a ser publicado pela Dom Quixote no ano seguinte.
 
 
Sobre o júri
 
O júri do Prémio LeYa 2017 foi constituído por Manuel Alegre (presidente),  Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, escritores, e ainda José Carlos Seabra Pereira, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, Reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, Professora da Universidade de São Paulo.
 
Sobre o Prémio LeYa
 
Com características únicas pela sua especificidade e valor -- 100 mil euros --, o Prémio LeYa foi criado em 2008 com o objectivo de distinguir um romance inédito escrito em português.
 
Foram já distinguidos os romances “O Rastro do Jaguar”, de Murilo Carvalho (2008), “O Olho de Hertzog”, de João Paulo Borges Coelho (2009), “O Teu Rosto Será o Ultimo”, de João Ricardo Pedro (2011), “Debaixo de Algum Céu”, de Nuno Camarneiro (2012), “Uma Outra Voz”, de Gabriela Ruivo Trindade (2013), “O Meu Irmão”, de Afonso Reis Cabral (2014) “O Coro dos Defuntos”, de António Tavares (2015).
 
Nas edições de 2010 e 2016 o júri entendeu não atribuir o prémio.


Romances finalistas do Prémio LeYa 2017 e respectivos pseudónimos:

A Febre das Almas Sensíveis, Luiz Camilo
Faz Frio Neste Lado da Noite, O Sétimo Selo
O Testamento de José de Nazaré, Navija
Os Loucos da Rua Mazur, Mar Navarro (vencedor)
Parem todos os relógios, Vicente Machado

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